sábado, 06/03/2010

Em cima do telhado de minha casa. Era onde estávamos, inertes: e o vento decidiria o nosso destino, era o que pensávamos. Como pétalas de flores sendo carregadas, como o fim de uma estação sendo assoprado.; um sopro de duas vidas caídas ao chão. Era esta a magia do telhado: o poder quase sinestésico de nos fazer não pensar em nada. e você andava tão preocupada.

- E, sem cessar, as horas se passavam como aquelas nuvens de formas engraçadas que passavam.

Nem me lembro se chegamos a cruzar nossos olhares: era tudo tão bonito, secamente sincero, puro. E o céu nos abençoava, e o sol nos esquentava com suas madeixas cor de ouro, e você dizia que ficaria tudo bem, mesmo quando não sabia sobre o que estava falando, ou quando se perdia no meio de uma frase. Era esta a magia do telhado: ele nos deixava mais bobos, porque lá sentíamos nosso contato com o mundo ser interrompido. E era bem melhor assim, eu e você.

- E o dia caminhava a trotes de tartaruga, minha mente acompanhava tudo isso.

Haviam poucas palavras; o olhar era cerrado, pois o sol tem essa estranha mania de não nos deixar ver as coisas com os olhos totalmente abertos. Sempre olhei para o mesmo ponto da paisagem e, ao contrário de você, ele não se escondia de mim: gostava de ser admirado. Era uma pena você não sentir essa admiração por mim, mas algo na paisagem a deixava boquiaberta, enquanto eu não fazia ideia dos seus sentimentos. Assim, secretamente eu te olhava, e era essa a magia do telhado: você nem notava.

Era assim que enfrentávamos os dias de tranquilidade, era aquele lugar que nos abrigava, desde nosso corpo ao mais profundo dos pensamentos. Eu não dizia tudo o que eu pensava, é tão errado quando fazemos isso. queria completamente ter sido capaz de sentir tudo por você, mas me sinto impedido por uma série de motivos encobertos por nuvens de tempestade. Não deixe seus olhos estelares se apagarem. Não se preocupe comigo.

E assim seguíamos até você começar a tremer de frio: era a despedida do sol. O calafrio recobra a consciência, e percebíamos várias vezes o quão bobo era o que estávamos fazendo lá, horas de vida desperdiçadas em troca de uns pensamentos a mais. De volta à realidade, nada havia mudado, e – calados – tomávamos um rumo.

E era essa a magia do telhado:

Você se lembra?

PS: Não há nada pior do que ir mal numa prova. Atualmente, é o sentimento que tem mais rasgado meu peito, juro. E eu preciso tomar um jeito, antes que seja tarde demais. Dessa vez eu aprendi a lição.

PPS: O texto não fala sobre alguém em específico, mas sobre poder encontrar alguém, mesmo que esse alguém não esteja tão afim de você. Quase cheguei a me emocionar enquanto escrevia, juro. Foi marcante.



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